RETOMAR CRÉDITO MALPARADO – Novas regras em vigor

Já é possível retomar um crédito malparado, graças ao novo decreto-lei publicado em Diário da República. A medida vem reforçar a proteção dos consumidores cujos créditos, muitas vezes em incumprimento, são vendidos pelos bancos a fundos ou empresas externas.

Até agora, quando o banco alienava um contrato em incumprimento, o cliente ficava sem hipótese de renegociar as condições originais, ficando sujeito apenas às regras impostas pelo comprador da dívida. Com a nova legislação, passa a vigorar o princípio da neutralidade da cessão: mesmo que o crédito seja vendido, o mutuário mantém os mesmos direitos de negociação e proteção que teria no banco inicial.

Na prática, isto significa que os consumidores podem voltar a negociar planos de pagamento, sobretudo no caso do crédito à habitação, onde a lei passa a garantir direitos reforçados. Além disso, a entidade que compra a dívida tem agora a obrigação de informar o devedor, explicando quem passa a gerir o contrato, o valor em dívida e a legislação aplicável.

O Banco de Portugal assume um papel central neste novo regime, fiscalizando as entidades gestoras e impondo maior transparência. O objetivo é travar práticas abusivas e assegurar que os consumidores continuam protegidos, mesmo após a venda da sua dívida.

Com esta alteração, Portugal alinha-se com a diretiva europeia de 2021 e cria condições para que as famílias em incumprimento possam regularizar as suas dívidas sem perder direitos, ganhando mais estabilidade e oportunidades de negociação justa.

RENEGOCIAR O SPREAD – Como baixar a prestação da casa

Nos últimos anos, muitas famílias portuguesas viram as prestações do crédito habitação disparar devido à subida das taxas Euribor. Perante esta realidade, uma das formas mais eficazes de aliviar o orçamento mensal passa por renegociar o spread junto do banco. Mas o que significa, afinal, renegociar o spread?

O spread é a margem de lucro que o banco acrescenta à taxa Euribor na fórmula do crédito habitação. Enquanto a Euribor sobe e desce conforme o mercado, o spread é definido pela instituição financeira e mantém-se até que seja revisto. Renegociar o spread nada mais é do que pedir ao banco uma redução dessa margem, o que pode resultar numa descida significativa da prestação mensal e numa poupança considerável ao longo dos anos do contrato.

Este processo faz ainda mais sentido em situações em que o cliente apresenta uma situação financeira estável, um histórico de pagamentos cumpridos ou quando surgem novas ofertas no mercado com condições mais atrativas. Muitas vezes, basta mostrar ao banco que existem alternativas mais competitivas para que a instituição esteja disponível para rever as condições, de forma a não perder o cliente.

Para avançar com a renegociação, é importante conhecer bem o contrato atual, saber qual é o spread aplicado e em que períodos ocorre a revisão da taxa. A seguir, deve analisar a sua situação financeira e demonstrar capacidade de cumprir com os pagamentos. Comparar propostas de outros bancos é também essencial, não só para perceber o que o mercado está a oferecer, mas também para usar essas simulações como argumento de negociação. Caso o banco não aceite rever as condições, a transferência do crédito para outra instituição pode ser uma solução vantajosa.

As vantagens de uma renegociação bem-sucedida são claras: a redução imediata da prestação mensal, um maior equilíbrio no orçamento familiar e até a possibilidade de poupar milhares de euros no total do empréstimo. No entanto, é importante estar atento às contrapartidas que os bancos podem exigir, como a subscrição de seguros, domiciliação de ordenados ou adesão a outros produtos financeiros. Antes de aceitar, deve sempre calcular se o custo destas exigências não acaba por anular o benefício da redução do spread.

Renegociar o spread é, portanto, uma forma prática e direta de diminuir o peso do crédito habitação. Exige preparação, comparação e alguma persistência, mas pode fazer uma diferença muito significativa nas contas de quem tem prestações elevadas. Num momento em que os bancos competem cada vez mais para atrair e reter clientes, quem se informar e souber negociar tem hoje uma margem de manobra real para conseguir melhores condições e garantir maior estabilidade financeira no presente e no futuro.

CRÉDITO HABITAÇÃO – 4 passos para conseguir o financiamento ideal

Comprar uma casa é uma das decisões financeiras mais importantes na vida de muitas pessoas, e para a maioria, obter um crédito habitação é o caminho para concretizar esse sonho. No entanto, este processo pode ser desafiante. Por isso, é essencial seguir alguns passos que vão facilitar a aprovação do crédito e garantir condições mais favoráveis.

O primeiro passo é avaliar a sua situação financeira. Antes de se aventurar na compra de uma casa, deve analisar as suas finanças pessoais com cuidado. Isso inclui verificar quanto tem disponível para a entrada inicial e qual o montante das prestações que poderá suportar ao longo do tempo. Calculadoras de crédito online podem ser úteis para ter uma estimativa inicial do valor que poderá financiar, com base no seu rendimento e nas suas despesas.

A seguir, é fundamental verificar o seu crédito. O histórico de crédito é um fator crucial para os bancos na hora de decidir se aprovam ou não o crédito habitação. Portanto, deve garantir que não existem erros ou situações pendentes no seu relatório de crédito. Se necessário, pague dívidas antigas ou regularize pendências, pois uma boa pontuação de crédito pode aumentar as suas chances de obter um financiamento com melhores condições.

Depois, compare as ofertas de diferentes instituições financeiras. Muitas pessoas caem no erro de aceitar a primeira proposta de crédito sem antes fazer uma análise das opções disponíveis no mercado. Solicite simulações de crédito em diferentes bancos e compare não apenas a taxa de juro, mas também fatores como o prazo de pagamento, as comissões associadas e outros custos adicionais. Uma pesquisa bem-feita pode resultar em poupanças significativas no longo prazo.

Por fim, é importante preparar a documentação necessária. Cada banco pode exigir documentos diferentes, mas em geral será necessário apresentar prova de rendimento (como recibos de vencimento ou declarações de IRS), comprovativos de poupança, documentação de identificação e informações sobre o imóvel. Ter tudo organizado com antecedência vai evitar atrasos e acelerar o processo de aprovação.

Seguindo estes quatro passos — avaliação financeira, verificação de crédito, comparação de ofertas e preparação de documentos — estará mais preparado(a) para conseguir o crédito habitação que deseja.

CRÉDITO PESSOAL – 3 regras que garantem o uso consciente

Já vigora a nova diretiva da União Europeia (UE) que reforça a proteção dos consumidores no que respeita ao uso do crédito pessoal, mas isso não basta para prevenir o endividamento.

A UE está empenhada em evitar a entrada em incumprimento e o endividamento, por isso, adotou medidas que garantem que, no ato da assinatura do contrato do crédito pessoal, o titular recebe a informação necessária de forma clara e inequívoca.

Contudo, para evitar ambas as situações, os consumidores têm de fazer a sua parte, ou seja, usar o crédito pessoal de modo responsável e consciente.

O uso consciente do crédito pessoal guia-se por três grandes regras!

PLANEAMENTO FINANCEIRO

O planeamento financeiro é a base do uso consciente do crédito pessoal, dado que permite otimizar a gestão dos rendimentos e usá-lo como último recurso, apenas em caso de necessidade.

O crédito pessoal deve ser usado para suprir necessidades pessoais, por exemplo, fazer obras em casa, e não para desejos supérfluos. Por isso, pense duas vezes no montante de que realmente precisa e calcule a taxa de esforço e os juros a pagar antes de avançar com o pedido.

COMPARAÇÃO DA OFERTA

Existem muitas opções no mercado. Antes de assinar o contrato, analise detalhadamente as condições que cada banco oferece, como as taxas de juros e o prazo de pagamento. Só assim é que consegue obter um crédito pessoal com condições adequadas!

Se precisar de apoio para tomar uma decisão consciente e informada, fale com um intermediário de crédito.

GESTÃO DO PAGAMENTO DAS MENSALIDADES

O crédito pessoal representa mais uma despesa a liquidar todos os meses. Por isso, deve ajustar o orçamento de modo a conseguir pagar as contas habituais e o crédito pessoal na data prevista. Se conseguir e se compensar, amortize!