PRÉ-FÉRIAS – Não se esqueça da casa antes de relaxar

Para muitas pessoas, julho marca o início do merecido descanso. As malas já estão feitas, os bilhetes comprados e a cabeça começa a desligar… mas há um detalhe que não convém deixar para trás: a sua casa.

Prepará-la antes de sair é meio caminho andado para umas férias verdadeiramente descansadas — e um regresso sem stress.

Esvazie o frigorífico (a sério)

Não basta tirar os restos do jantar de ontem. Verifique os molhos abertos, laticínios, fruta madura e qualquer coisa que possa transformar-se numa surpresa desagradável quando voltar.

Lixo, sempre para fora

Nada como voltar a casa e sentir aquele ar fresco — e não um cheiro estranho a lembrar que o lixo ficou por despejar.

Eletricidade e água: o essencial ligado, o resto desligado

Mantenha o frigorífico a funcionar, mas desligue tudo o que não precisa — mesmo que seja só para poupar energia. Se vai estar muitos dias fora, feche a torneira de segurança da água.

Deixe tudo arrumado para o regresso

Faça a cama, arrume a loiça e passe um pano rápido. Não custa nada e vai agradecer quando voltar — especialmente se o pós-férias incluir aquele “choque” de regressar à rotina.

Peça um olho atento

Se tem alguém de confiança, peça para espreitar a caixa do correio e confirmar que está tudo bem. Pequenos gestos fazem a diferença, principalmente quando fica fora mais tempo.

Umas férias descansadas começam na porta de casa. E não há nada como voltar e sentir que tudo ficou no sítio certo — para que só se preocupe com o bronze, os passeios ou o descanso absoluto.

DIVÓRCIO – Mudar de morada faz perder isenção de mais-valias

Pouca gente sabe, mas uma simples mudança de morada fiscal após o divórcio pode acabar por custar milhares de euros em IRS. Mesmo que continue a pagar o empréstimo da casa, pode perder o direito à isenção de mais-valias no momento da venda. E sim, isto acontece mais vezes do que imagina.

Quando há divórcio, a casa onde o casal viveu juntos costuma ser um dos temas mais delicados. E, por vezes, o que parece uma formalidade — como mudar a morada fiscal nas Finanças — pode ter consequências inesperadas.

A lei portuguesa prevê que, se vender a sua habitação própria e permanente e reinvestir esse valor noutro imóvel com o mesmo fim, pode ficar isento de mais-valias. Mas há uma condição essencial: a morada fiscal tem de coincidir com a casa vendida durante pelo menos 12 meses antes da venda.

Ou seja, não basta continuar a pagar o empréstimo bancário. Se já não tiver a morada registada no imóvel que vai ser vendido, a Autoridade Tributária pode entender que ele deixou de ser a sua residência habitual. E isso basta para lhe retirar o direito à isenção.

Exemplo prático que acontece com frequência:

Um casal divorcia-se. A mãe fica na casa com os filhos, o pai muda-se e altera a sua morada fiscal. Mesmo que continue a pagar metade da prestação, no momento da venda da casa, a sua parte pode ser tributada em mais-valias, porque já não tem a morada associada ao imóvel.

Como evitar este problema?

Se está a passar por um divórcio e ainda não vendeu a casa comum, considere o seguinte:

Não altere a morada fiscal antes da venda, se ainda quiser beneficiar da isenção de mais-valias

– Garanta que o imóvel é a sua residência habitual nos 12 meses anteriores à venda

– Reinvista o valor da venda (descontando o que ainda deve ao banco) numa nova casa com o mesmo objetivo, no prazo de 36 meses

A perda da isenção pode significar um impacto financeiro pesado no meio de um momento já sensível. Por isso, vale a pena pensar bem antes de mudar a morada ou tomar decisões precipitadas.

Em caso de dúvida, o melhor é mesmo procurar aconselhamento fiscal. Uma pequena decisão hoje pode evitar um grande problema amanhã.